quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A Monalisa de Einstein

Monalisa-Einstein by A.Tamir


Um coração aberto mostra o que é belo!
Como surgem as fórmulas e grandes teorias?
Como nascem os gênios, as crenças, as religiões e os grandes Amores?
Como são feitos os grandes projetos e as obras primas?
E os sonhos e as asas como de Santos Dumont?
-Numa tela ele a desenhou,
uma bela obra de arte ficou,
mas o elo entre os dois se desmanchou
como letras que se separam desfazendo palavras e poesias-
Das dádivas e ideias geniais as “coisas” surgem, nascem...
Mas com o coração são melhor explicadas,
                                                                         [compreendidas.

T.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A escolha

(Moema-Vítor Meireles de Lima)


Moema morreu afogada,
Agar foi viver no deserto
E a segunda Lua sumiu...


T.

terça-feira, 26 de julho de 2011

O encontro de Perséfone e Hades


Perigo, vendaval, iminência.
Dos pesadelos ele surgiu como um espectro vindo das trevas...
Ela sempre distraída brincava Perséfone entre as ingênuas flores,
quando inocente caiu nas garras do Suga-Dor
e a dança começou:

Perigo, vendaval, iminência.
Ele não tinha rosto, ele não tinha gosto,
só tinha corpo, muita fome e nenhuma piedade!

Não adianta gritar, não adianta espernear,
o jeito é lutar, dançar...
Desviar quando preciso,
ceder quando difícil,
morder por instinto.

Perigo, vendaval, iminência.
Ela já foi mulher espartana,
ele já viveu umas quinhentas vidas,
ela já matou mais de cem numa guerra,
pra ele tudo é como uma posse de terra...

E nesta dança corpos se contorcem, fluem,
se enfrentam, se batem e explodem!!!

Não dou, eu pego.
Não dou, eu pego.
Não dou, eu pego.

Perigo, vendaval, iminência.

Beijos sangrentos, sabor de morte...
Perséfone arrastada para cova de Hades.

Acorda! Desta vez não foi pesadelo...


T.

sábado, 23 de julho de 2011

O convite

Ele era jovem, alto e sedutor. Um moreno até simpático e muito labioso. Fazia charme para que Maria não resistisse a sua sedutora proposta de dar uma volta no civic preto. No entanto, Maria se fazia de desentendida, enquanto fixava o olhar no carro que lhe era bem atraente, nas arquiteturas da forma, no sutil rugir do motor que lembrava-lhe não uma sinfonia de Mozart, mas um leve estremecer de guitarra floydiana.
Tudo no automóvel a impressionava, todas as peças e engrenagens da máquina que poderia em minutos acabar com toda a dor de Maria, em fúria, velocidade e violência, um desvio na estrada e Maria nem mais sentir sentiria...
Uma breve tentação, um desejo latente reprimido na alma, mas algo ainda prendia a jovem naquele mundo: o passageiro, o tão recente passado.
E aquele misterioso e impertinente homem insistia no convite, Maria estava um passo de aceitar o chamado do carro, enquanto o homem adocicadamente lançava-lhe a isca:
"- Vamos, Maria. Vem comigo e eu te levarei para onde quiseres. Vem comigo, Maria. E eu te levarei para os lugares dos teus sonhos, as estrelas são o caminho do mais singelo do que posso te oferecer. "
Maria sorriu.
Uma doce lembrança beijou-lhe a memória.
Maria foi embora, deixando um sorriso melancólico, um olhar perdido e a despedida num leve abano de mão ao homem de bigode preto.
Ele ficou perplexo, sem reação de persuadir a moça em ficar. Estava frustado e, ao mesmo tempo, ainda atônito e encantado com a beleza de Maria que, naquela noite, estava inefavelmente bela, fantasiada de anjo em trajes de princesa medieval.
Depois que o jovem prepotente despertou-se da recusa da moça, voltou-se ao seu mestre atroz e perguntou o porquê de Maria recursar a oferta:
"-Diga-me, o que quer esta "anja"? O que acontece com Maria?"
O inimigo, muito sábio e espião disse-lhe:
"- Não vês? É o cabresto da saudade. Maria está engravidada de saudade e, irreversivelmente, meu jovem aprendiz, é saudade de Amor. E todo o meu poder e toda a tua astúcia estremece em fraqueza diante de tanta força."
Saudade, vida ou milagre. Só quem pode olhar enxergaria os dois anjos de luz em formas de lindas donzelas conduzindo Maria a fugir dali, a fugir daquele perigoso e audacioso rapaz que tinha como guia as trevas das más intenções. A lembrança de José foi mais forte no peito da moça do que o desejo de parar o coração.



T.

Só por Amor

Se eu tiver que morrer, que eu morra de Amor...
Se eu tiver que viver, que eu viva por ti...
Grande Amor, Grande Amor.

Eu mataria por ti...
Mataria por ti:
a fome do mundo,
a sede da terra,
a miséria e a guerra,
a dor e a descrença,
toda a violência
e a longa tristonha espera.

Viveria por ti.
Mataria por ti.
Morreria de ah...
em teus braços Amor.

T.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

poema econômico

Ovo frito com miojo- Thamirys Di Paula


ovo frito com miojo
miojo com ovo frito
o pobre que tem o que comer
é quase rico!
Mas como diria o poeta
nesse poema também não cabe
o preço do arroz
o preço do café
o preço do feijão...
nem mesmo do peixe frito...
Hoje
só temos
ovo frito com miojo
ou se preferir
miojo com ovo frito
ou ainda eggs e nissin miojo

Amanhã?
Já não sabemos...

T.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Entrega





Ah, que vontade de jogar-me em cima de ti!
Ah, que vontade de atirar-me em cima de ti!
Ah, que vontade de cair em tuas mãos...
como fruta imatura e precipitada
entregar-me como alimento e seiva para tua arte...
Tua arte de amar, tua arte de transformar Amor
em matéria prima para tudo o que fazes,
tua arte de fazer da sublimação força motriz da tua vida.
Ó, meu bem, use-me como lápis e papel da tua obra!
Use-me, use-me agora!

T.

A menina dos cajus.


Uma menina estava a desejar os cajus do quintal da vizinha, daquela avarenta, lembra? Aquela que não emprestava, nem açúcar, nem uma caixa de fósforo que fosse.
A menina pulou o muro, que isso não era problema, atravessava cercas, trepava em árvores, amansava cachorros, buscar alturas era também seu divertimento de criança e muito jeito ela tinha com os animais.
Já no terreno alheio, olhou, olhou, procurou, procurou, e achou o caju mais vermelho e mais atraente aos olhos dela. Mas ele estava bem lá no alto, na torrezinha mais fina dos galhos do cajueiro, nem com toda a sua arte de escalar montanhas de pomares, muralhas de casas alheias, a menina não conseguiria apanhar o caju desejado, ainda mais que já começava a ouvir ruídos na casa da vizinha, logo a velha apareceria ralhando com a garota e soltando as cobras de desaforo dela, tão habituais naquela mulher rude.
A menina teria que tomar logo uma decisão, antes que não desse tempo de apanhar nenhum caju. E tomou. Concluiu: - Já que não posso ter aquele que quero, terei quantos eu quiser! E assim apanhou quantos cajus pôde, até aqueles que saberia que nem iria chegar a comer, apanhou e saiu de fininho. Feliz da vida pela peripécia que tinha feito na casa daquela sisuda, mas também levou consigo um sei lá o que de insatisfação, o caju mais bonito seria comido pelos passarinhos e não por ela, ou talvez se estragaria esparramado ao chão.

T.



Poetar

Eu sou um parasita,
Me alimento da tua inteligência,
Das tuas virtudes, do teu saber.

Eu sou um vampiro
Sanguessuga,
Sugo todo teu ser,
Teus gestos,
Teu falar,
Teu fazer,

E sublimo tudo em inspiração.
Eis uma vereda para o criar poético:
Frutas boas!
Colhe-se uma ali, outra acolá;
Uma dose de Vinícius,
Uma gota de Dickinson,
Uma porção de Clarice,
Faz-se uma casa de signos,
E a Poesia? Vem se quiser.

T.

Alquimia do Amor

Lua de Soure-Thamirys Di Paula


Se não posso ter do jeito que quero, terei do jeito que posso...
Os beijos que não posso dar-te, transformarei em linhas
para costurar os versos de minha poesia!
A rosa que queria te mostrar,
será a rosa que louvarei nas minhas canções.
O desejo que tenho por ti será inspiração para o meu escrever,
A vida que não poderemos ter, será a vida das coisas que faço,
das coisas que crio, das causas pelas quais lutarei.
Se não posso ser tua do jeito que sou,
pedirei a metamorfose poética que me
transforme na Lua, que tu verás nas noites de saudade,
pedirei que eu seja as ruas que te olham passar,
pedirei que eu seja a chuva que te molha na volta pra tua casa.
A sublimação me fará ser o que quiseres, tudo o que desejas,
serei em verso e prosa, em imagem e som,
em sombra e luz, em preto e branco,
deseje e em arco-íris me transformo,
deseje e música serei,
deseje e sempre estarei contigo,
como por encanto da Alquimia do Amor
sempre estarei contigo...

T.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O beijo primeiro

O beijo- Auguste Rodin


O perfume dos bambuzais
embriagava o beijo rasgado de dois jovens imprudentes,
que flutuavam sob a luz da Amante Lua.

A noite cheirava como vinho.

Tudo era delírio, ou seria a arte do Erotismo?

No roteiro Música e Poesia.

Vendaval levava as horas,
os segredos e os suspiros esvaneciam
como as notas do violino...

Ilusão ou realidade?
Um sonho talvez ou só mais uma loucura!

T.