terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

poema econômico

Ovo frito com miojo- Thamirys Di Paula


ovo frito com miojo
miojo com ovo frito
o pobre que tem o que comer
é quase rico!
Mas como diria o poeta
nesse poema também não cabe
o preço do arroz
o preço do café
o preço do feijão...
nem mesmo do peixe frito...
Hoje
só temos
ovo frito com miojo
ou se preferir
miojo com ovo frito
ou ainda eggs e nissin miojo

Amanhã?
Já não sabemos...

T.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Entrega





Ah, que vontade de jogar-me em cima de ti!
Ah, que vontade de atirar-me em cima de ti!
Ah, que vontade de cair em tuas mãos...
como fruta imatura e precipitada
entregar-me como alimento e seiva para tua arte...
Tua arte de amar, tua arte de transformar Amor
em matéria prima para tudo o que fazes,
tua arte de fazer da sublimação força motriz da tua vida.
Ó, meu bem, use-me como lápis e papel da tua obra!
Use-me, use-me agora!

T.

A menina dos cajus.


Uma menina estava a desejar os cajus do quintal da vizinha, daquela avarenta, lembra? Aquela que não emprestava, nem açúcar, nem uma caixa de fósforo que fosse.
A menina pulou o muro, que isso não era problema, atravessava cercas, trepava em árvores, amansava cachorros, buscar alturas era também seu divertimento de criança e muito jeito ela tinha com os animais.
Já no terreno alheio, olhou, olhou, procurou, procurou, e achou o caju mais vermelho e mais atraente aos olhos dela. Mas ele estava bem lá no alto, na torrezinha mais fina dos galhos do cajueiro, nem com toda a sua arte de escalar montanhas de pomares, muralhas de casas alheias, a menina não conseguiria apanhar o caju desejado, ainda mais que já começava a ouvir ruídos na casa da vizinha, logo a velha apareceria ralhando com a garota e soltando as cobras de desaforo dela, tão habituais naquela mulher rude.
A menina teria que tomar logo uma decisão, antes que não desse tempo de apanhar nenhum caju. E tomou. Concluiu: - Já que não posso ter aquele que quero, terei quantos eu quiser! E assim apanhou quantos cajus pôde, até aqueles que saberia que nem iria chegar a comer, apanhou e saiu de fininho. Feliz da vida pela peripécia que tinha feito na casa daquela sisuda, mas também levou consigo um sei lá o que de insatisfação, o caju mais bonito seria comido pelos passarinhos e não por ela, ou talvez se estragaria esparramado ao chão.

T.



Poetar

Eu sou um parasita,
Me alimento da tua inteligência,
Das tuas virtudes, do teu saber.

Eu sou um vampiro
Sanguessuga,
Sugo todo teu ser,
Teus gestos,
Teu falar,
Teu fazer,

E sublimo tudo em inspiração.
Eis uma vereda para o criar poético:
Frutas boas!
Colhe-se uma ali, outra acolá;
Uma dose de Vinícius,
Uma gota de Dickinson,
Uma porção de Clarice,
Faz-se uma casa de signos,
E a Poesia? Vem se quiser.

T.

Alquimia do Amor

Lua de Soure-Thamirys Di Paula


Se não posso ter do jeito que quero, terei do jeito que posso...
Os beijos que não posso dar-te, transformarei em linhas
para costurar os versos de minha poesia!
A rosa que queria te mostrar,
será a rosa que louvarei nas minhas canções.
O desejo que tenho por ti será inspiração para o meu escrever,
A vida que não poderemos ter, será a vida das coisas que faço,
das coisas que crio, das causas pelas quais lutarei.
Se não posso ser tua do jeito que sou,
pedirei a metamorfose poética que me
transforme na Lua, que tu verás nas noites de saudade,
pedirei que eu seja as ruas que te olham passar,
pedirei que eu seja a chuva que te molha na volta pra tua casa.
A sublimação me fará ser o que quiseres, tudo o que desejas,
serei em verso e prosa, em imagem e som,
em sombra e luz, em preto e branco,
deseje e em arco-íris me transformo,
deseje e música serei,
deseje e sempre estarei contigo,
como por encanto da Alquimia do Amor
sempre estarei contigo...

T.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O beijo primeiro

O beijo- Auguste Rodin


O perfume dos bambuzais
embriagava o beijo rasgado de dois jovens imprudentes,
que flutuavam sob a luz da Amante Lua.

A noite cheirava como vinho.

Tudo era delírio, ou seria a arte do Erotismo?

No roteiro Música e Poesia.

Vendaval levava as horas,
os segredos e os suspiros esvaneciam
como as notas do violino...

Ilusão ou realidade?
Um sonho talvez ou só mais uma loucura!

T.