terça-feira, 26 de julho de 2011

O encontro de Perséfone e Hades


Perigo, vendaval, iminência.
Dos pesadelos ele surgiu como um espectro vindo das trevas...
Ela sempre distraída brincava Perséfone entre as ingênuas flores,
quando inocente caiu nas garras do Suga-Dor
e a dança começou:

Perigo, vendaval, iminência.
Ele não tinha rosto, ele não tinha gosto,
só tinha corpo, muita fome e nenhuma piedade!

Não adianta gritar, não adianta espernear,
o jeito é lutar, dançar...
Desviar quando preciso,
ceder quando difícil,
morder por instinto.

Perigo, vendaval, iminência.
Ela já foi mulher espartana,
ele já viveu umas quinhentas vidas,
ela já matou mais de cem numa guerra,
pra ele tudo é como uma posse de terra...

E nesta dança corpos se contorcem, fluem,
se enfrentam, se batem e explodem!!!

Não dou, eu pego.
Não dou, eu pego.
Não dou, eu pego.

Perigo, vendaval, iminência.

Beijos sangrentos, sabor de morte...
Perséfone arrastada para cova de Hades.

Acorda! Desta vez não foi pesadelo...


T.

sábado, 23 de julho de 2011

O convite

Ele era jovem, alto e sedutor. Um moreno até simpático e muito labioso. Fazia charme para que Maria não resistisse a sua sedutora proposta de dar uma volta no civic preto. No entanto, Maria se fazia de desentendida, enquanto fixava o olhar no carro que lhe era bem atraente, nas arquiteturas da forma, no sutil rugir do motor que lembrava-lhe não uma sinfonia de Mozart, mas um leve estremecer de guitarra floydiana.
Tudo no automóvel a impressionava, todas as peças e engrenagens da máquina que poderia em minutos acabar com toda a dor de Maria, em fúria, velocidade e violência, um desvio na estrada e Maria nem mais sentir sentiria...
Uma breve tentação, um desejo latente reprimido na alma, mas algo ainda prendia a jovem naquele mundo: o passageiro, o tão recente passado.
E aquele misterioso e impertinente homem insistia no convite, Maria estava um passo de aceitar o chamado do carro, enquanto o homem adocicadamente lançava-lhe a isca:
"- Vamos, Maria. Vem comigo e eu te levarei para onde quiseres. Vem comigo, Maria. E eu te levarei para os lugares dos teus sonhos, as estrelas são o caminho do mais singelo do que posso te oferecer. "
Maria sorriu.
Uma doce lembrança beijou-lhe a memória.
Maria foi embora, deixando um sorriso melancólico, um olhar perdido e a despedida num leve abano de mão ao homem de bigode preto.
Ele ficou perplexo, sem reação de persuadir a moça em ficar. Estava frustado e, ao mesmo tempo, ainda atônito e encantado com a beleza de Maria que, naquela noite, estava inefavelmente bela, fantasiada de anjo em trajes de princesa medieval.
Depois que o jovem prepotente despertou-se da recusa da moça, voltou-se ao seu mestre atroz e perguntou o porquê de Maria recursar a oferta:
"-Diga-me, o que quer esta "anja"? O que acontece com Maria?"
O inimigo, muito sábio e espião disse-lhe:
"- Não vês? É o cabresto da saudade. Maria está engravidada de saudade e, irreversivelmente, meu jovem aprendiz, é saudade de Amor. E todo o meu poder e toda a tua astúcia estremece em fraqueza diante de tanta força."
Saudade, vida ou milagre. Só quem pode olhar enxergaria os dois anjos de luz em formas de lindas donzelas conduzindo Maria a fugir dali, a fugir daquele perigoso e audacioso rapaz que tinha como guia as trevas das más intenções. A lembrança de José foi mais forte no peito da moça do que o desejo de parar o coração.



T.

Só por Amor

Se eu tiver que morrer, que eu morra de Amor...
Se eu tiver que viver, que eu viva por ti...
Grande Amor, Grande Amor.

Eu mataria por ti...
Mataria por ti:
a fome do mundo,
a sede da terra,
a miséria e a guerra,
a dor e a descrença,
toda a violência
e a longa tristonha espera.

Viveria por ti.
Mataria por ti.
Morreria de ah...
em teus braços Amor.

T.